sábado, 25 de fevereiro de 2012

Gabinete do Presidente da República


No corredor que dá acesso ao Gabinete do Presidente da Assembleia da República, encontram-se os retractos do Presidente da Assembleia Constituinte: Prof. Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes, Teófilo Carvalho dos Santos, Leonardo Ribeiro de Carvalho e Oliveira Dias.  


 E os dos 10 anteriores Presidentes da Assembleia da República: Tito de Morais, Fernando Amaral, Vitor Crespo, Barbosa de Melo, Almeida Santos e Mota Amaral.



O gabinete de trabalho do Presidente da Assembleia da República é decorado com mobiliário de estilo Império, uma tapeçaria italiana,  duas pinturas flamengas anónimas, datáveis do século XVII, (uma representando cena de caçada ao leão e outra com tema mitológico de amor entre Júpiter e Juno), e um esboço de Veloso Salgado, representando a Pátria e os ofícios, que constituiu a proposta recusada das duas apresentadas pelo pintor para o painel da luneta que se encontra na Sala das Sessões, por cima da mesa da presidência.



A sala de visitas do Presidente da Assembleia da República, onde durante o Estado Novo se reunia o Conselho de Ministros, é decorada com um retracto de D. Carlos I e a Alegoria à Fundação da Casa Pia.


Por cima da lareira, encontra-se um relógio de mesa francês, do início do século XIX, de mármore preto com ornatos em bronze dourado, com os signos do Zodíaco e figuras em bronze fosco.

Sala do Senado


A sala do Senado resulta da reformulação da Sala do Capítulo do convento beneditino, e foi inaugurada em 1867 para acolher a Câmara dos Pares.

A sala organiza-se com tribunas simples em cada extremo e uma reservada em posição central, duas ordens de camarotes que se sucedem em grupos de 15 com duas varandas superiores de metal forjado, e separadas por uma série de 22 colunas em mármore, de capitel compósito com o escudo nacional e as quinas.

O pavimento é em parquet de madeira de carvalho com embutidos de pau-cetim. O tecto, revestido de estuque, foi pintado a grisaille, em tromp l'oeil, simulando cartelas em baixos-relevos com motivos geométricos e figurativos.



Uma clarabóia em vidro fosco proporciona iluminação zenital natural a todo o espaço.



Junto às galerias, ao longo do anfiteatro, dispõem-se oito bustos em mármore representando os Pares ilustres: Duque de Palmela,  D. Guilherme e Duque da Terceira,  Conde do Lavradio,  Duque de Loulé,  Duque de Saldanha,  Duque de Ávila e Bolama e Fontes Pereira de Melo.

O mobiliário presidencial, bem como o púlpito do orador e as portas, trabalhados em madeira de castanho, apresentam uma sobriedade das linhas, depuração decorativa e acentuados valores de simetria.

A frente da mesa da presidência está decorada com dois medalhões em bronze embutidos, com os bustos, em baixo-relevo, do Duque de Palmela e do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Guilherme, presidentes da Câmara dos Pares, respectivamente em 1834 e 1846.

Sobre a mesa, em cada extremo, estão dois candeeiros de bronze com representações femininas, em estilo Arte Nova.



O cadeirão é estofado em capitonné e encimado por duas figuras que seguram livros e flanqueiam um medalhão com as quinas e um castelo do escudo português, apoiado num púlpito com a inscrição latina in legibus salus (a salvação está na lei).


Em frente à Mesa da Presidência encontra-se um relógio e as cabeceiras das 2 portas, esculpidas em mármore branco de Carrara com os bustos dos primeiros reis constitucionais, D. Pedro IV e D. Maria II





Sala D. Maria I


A sala D. Maria II foi concebida, em meados do século XIX, especificamente para a realização de Conferências. O pavimento, revestido em parquet, conjuga três madeiras (carvalho, pau-cetim e pau-santo) num trabalho de embutidos que forma motivos geométricos e estrelas nas intersecções dos ângulos.

O tecto, revestido de estuque trabalhado, foi decorado com pinturas em grisaille (tonalidades de cinzento) em tromp l'oeil (criação de ilusão óptica de perspectiva), simulando baixos relevos com motivos florais e vegetalistas, intercalados com figuras mitológicas (Minerva, Mercúrio, Vénus e Justiça) e com retractos do Duque de Palmela, do Duque de Loulé, do Conde do Lavradio e do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Guilherme.


As paredes, apaineladas, foram também pintadas, simulando revestimento de mármore, e decoradas com pequenos retractos a óleo sobre tela, integrados em cartelas ovais de gesso com ornatos, adossadas à própria parede. 


Na parede do lado esquerdo de quem entra, dominando toda a sala pelas suas monumentais dimensões, destaca-se um retracto de corpo inteiro da rainha D. Maria II


Na parede oposta, encontra-se uma lareira com azulejos policromos de motivos vegetalistas e zoomórficos, com a chaminé de mármore, decorada com brutescos neoclássicos de inspiração renascentista.





Escadaria Nobre



A Escadaria Nobre foi inicialmente projectada pelo arquitecto Ventura Terra e reformulada no seu traçado pelo arquitecto António Lino, nos anos de 1936-1937. Veio substituir a antiga escadaria do Convento, originalmente revestida por painéis de azulejos datados de 1630, decorados com ornamentos vegetais, zoomórficos e antropomórficos, e o brasão da Ordem de São Bento (hoje no Museu Nacional do Azulejo).


Os topos das 8 portas a que a escadaria dá acesso, são coroados por frontões triangulares com grupos escultóricos , e presentando as 8 províncias de Portugal à época (Trás-os-Montes, Minho, Beira Litoral, Estremadura, Beira Alta, Beira Baixa, Alentejo e Algarve) identificadas pelos brasões de 8 das principais cidades onde se reuniram as Cortes no País (Guimarães, Braga, Porto, Lisboa, Leiria, Santarém, Évora e Almeirim) e pelas actividades económicas que melhor as caracterizavam então (a agricultura e a pesca).

As paredes do andar superior da escadaria estão decoradas com seis pinturas murais de género histórico agrupadas em dois trípticos, integrados em arcos de volta perfeita,  realizadas entre 1940 e 1943 e intituladas "A Defesa da Pátria" e "A Prosperidade da Nação", , no entanto, são vulgarmente conhecidas como: “As Cortes de Leiria” e “Alegoria às Forças Produtivas da Nação”.

Pintado no painel da direita, do lado da Assembleia, o primeiro tríptico recria o episódio histórico das Cortes de Leiria (1254) – as primeiras em que, ao lado do clero e da nobreza, tomaram assento representantes do povo e procuradores dos concelhos, reunidos, todos, em prol da defesa nacional.

No painel central, foi representada a Indústria (pesca, fiação, ourivesaria, imaginária, alvenaria, Artes, Ciências e Humanidades). 

No painel da esquerda, está a Agricultura (lavra, sementeira, pecuária e plantação de árvores de fruto) e no painel da direita o Comércio (urcas e naus, mareantes e mercadores).







Claustro





Tem uma galeria de portas e janelas com andar intermédio.

Por debaixo das arcadas do claustro foram colocados bustos de três personalidades já falecidas que marcaram a política contemporânea: 








[3] Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa, Engenheiro Civil de profissão, foi membro fundador do Partido do Centro Democrático Social (CDS) em 1974, tendo sido o seu primeiro Secretário-Geral até Fevereiro de 1975, ano em que foi eleito Deputado à Assembleia Constituinte. É eleito Deputado à Assembleia da República em 1976 e reeleito em 1979. Ainda em 1976 é nomeado Presidente do Grupo Parlamentar do CDS. Assume a pasta do Ministério da Defesa Nacional em 1980. 

Jardim


O jardim, situado nas traseiras do Palácio de São Bento, foi desenhado por Cristino da Silva, caracterizando-se por uma simetria de inspiração francesa na disposição dos canteiros e estátuas, contando com quatro pequenos lanços de degraus que criam o efeito de socalcos por forma a ultrapassar o pronunciado declive do terreno.

É composto por 16 nichos e respectivas fontes e uma dupla escadaria erguida nos anos 40 que conduz ao jardim superior, encimada por duas esfinges com as quina e cada lado da escadaria, avançadas em relação a esta, encontram-se duas estátuas representando a Força e a Justiça, duas figuras alegóricas femininas que se correspondem ideologicamente com as inscrições latinas LEX (lei) e JVS (direito) em frente, no edifício.

Esculpidas em idêntico mármore branco de grão grosso e dentro da mesma monumentalidade das estátuas da fachada, apresentam, porém, diferenças relativamente a estas ao nível do talhe, da plasticidade formal e da riqueza de recursos expressivos.







O átrio


O átrio principal do Palácio de São Bento tem um pórtico avançado concebido por Ventura Terra e é, juntamente com o refeitório dos frades, dos poucos espaços que guardam ainda memórias do antigo convento de S. Bento.

Trata-se do local onde se encontrava a igreja primitiva, de que ainda se mantém o pavimento original de mármore branco e rosa, formando decoração geométrica.


No lugar das antigas capelas laterais, agora fechadas,formando arcaria cega que funciona como uma sucessão de nichos, encontram-se bustos de Luís de Camões. 




E também os bustos de alguns parlamentares ilustres da Monarquia e da 1ª República, como: Hintze Ribeiro(1) e António Cândido(2),  Bernardino Machado(3),  António José de Almeida e Afonso Costa,  ainda o busto do Presidente da Assembleia Constituinte de 1975, Henrique de Barros.


Os sinos que hoje se encontram no átrio principal pertenceram à torre da igreja do Convento de São Bento.

 

(O sino de maiores dimensões, à esquerda, foi fundido no ano de 1638.
O sino mais pequeno, à direita, era o sino de horas e foi fundido em 1744, tal como referido na inscrição gravada numa faixa circular. Ao centro, de um dos lados, encontra-se gravada em alto-relevo a figura de S. Bento com o atributo iconográfico (báculo) e, no lado oposto, a imagem de Cristo crucificado.)





[1] Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro  iniciou a sua carreira como advogado em 1862 e foi pela primeira vez eleito deputado em 1878. Em 1881 são-lhe entregues as pastas dos Estrangeiros e das Obras Públicas, Comércio e Indústria. Foi ainda Ministro da Fazenda e Ministro dos Negócios Eclesiásticos e Justiça. Por carta régia de 1 de Janeiro de 1886, foi nomeado Par do Reino.

[2] António Cândido Ribeiro da Costa, filiado no Partido Progressista, foi Par do Reino (1891), Procurador-Geral da Coroa e parlamentar. De entre as suas funções políticas contam-se as nomeações para Ministro do Reino e da Instrução Pública e Belas-Artes (1890), Conselheiro de Estado (1902) e Presidente da Câmara dos Dignos Pares (1905). Integrou um grupo de intelectuais, conhecido como os Vencidos da Vida, tertúlia que desempenhou um papel relevante na vida política e literária do final do século XIX.

[3]  Bernardino Luís Machado Guimarães inicia a sua actividade política como monárquico. Em 1882 foi eleito deputado pelo Partido Regenerador e, em 1890, o corpo catedrático da Universidade elegeu-o Par do Reino e em 1893 assumiu a pasta das Obras Públicas. Aderiu à Maçonaria em 1874 e, 21 anos depois, foi escolhido para seu grão-mestre. Depois de, em 1903, ter aderido ao Partido Republicano Português, rapidamente ascendeu à sua presidência. Em 1910 foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Provisório Republicano. Bernardino Machado foi eleito Presidente da República entre 1915 e 1919, função que volta a desempenhar em 1925. O golpe de 28 de maio de 1926 obriga-o a renunciar ao cargo e leva-o ao exílio, entre 1927 e 1940.